Papa: o pão da memória para reforçar as nossas raízes cristãs
01/06/2019 12:34 em IGREJA CATÓLICA
"Ao pedir o pão de cada dia, suplicamos também o pão da memória, a graça de reforçar as nossas raízes cristãs". O terceiro compromisso do Papa Francisco nesta sexta-feira (31/05) na Romênia foi uma visita à Nova Catedral Ortodoxa da cidade onde o Santo Padre depois de uma saudação rezou o Pai Nosso. O encontro foi marcado por cantos do Pai Nosso em latim e romeno
 

Jane Nogara - Cidade do Vaticano

Na sua saudação Francisco expressou sua gratidão e emoção por se encontrar no templo sagrado, e disse: “Jesus convidou os irmãos André e Pedro a deixar as redes, para se tornarem, juntos, pescadores de homens. A vocação pessoal – continuou o Papa - não está completa sem a do irmão”. Na oração do Pai Nosso “encerra-se a nossa identidade de filhos e hoje, de modo particular, a de irmãos que rezam um ao lado do outro”.

Palavras da oração

Em seguida o Papa falou sobre as palavras da oração:

“ Sempre que dizemos ‘Pai-Nosso’, reafirmamos que a palavra Pai não pode subsistir sem dizer nosso. Unidos na oração de Jesus, unimo-nos também na sua experiência de amor e intercessão, que nos leva a dizer: Pai meu e Pai vosso, Deus meu e Deus vosso”. Para Francisco, “é convite para que o ‘meu’ se transforme em nosso, e o nosso se faça oração ”

“A Vós, que estais nos céus – continua - pedimos a concórdia que não soubemos guardar na terra. Pedimo-la pela intercessão de tantos irmãos e irmãs na fé que moram no vosso céu”. “Como eles, também nós queremos santificar o vosso nome, colocando-o no centro de todos os nossos interesses”.

Renunciemos às lógicas guiadas pelo dinheiro

“Estamos à espera que venha o vosso reino: pedimo-lo e desejamo-lo porque vemos que as dinâmicas do mundo não o favorecem”. São dinâmicas “guiadas pelas lógicas do dinheiro, dos interesses, do poder. Enquanto nos encontramos mergulhados em um consumismo cada vez mais desenfreado, que cega com fulgores cintilantes mas efêmeros, ajudai-nos, Pai” - é a oração do Pontífice – a crer naquilo que rezamos:

“ Renunciar às seguranças cômodas do poder, às seduções enganadoras da mundanidade, à vazia presunção de nos crermos autossuficientes, à hipocrisia de cuidar das aparências. Assim, não perderemos de vista aquele Reino a que nos chamais ”

“Seja feita a vossa vontade, não nossa. E a vontade de Deus é que todos se salvem. Precisamos, Pai, alargar os horizontes, a fim de não restringir dentro dos nossos limites a vossa misericordiosa vontade salvífica, que quer abraçar a todos”.

Reforçar as raízes comuns da nossa identidade cristã

“Diariamente temos necessidade d’Ele, pão nosso de cada dia. Ele é o pão da vida que nos faz sentir filhos amados e sacia toda a nossa solidão e orfandade. Ele é o pão do serviço: repartindo-Se aos pedaços para Se fazer nosso servo”.

Francisco evidencia que

“ Ao pedir o pão de cada dia, suplicamo-Vos também o pão da memória, a graça de reforçar as raízes comuns da nossa identidade cristã, raízes indispensáveis num tempo em que a humanidade, particularmente as gerações jovens, correm o risco de se sentirem desenraizadas no meio de tantas situações líquidas, incapazes de fundamentar a existência ”

O Papa observa que “o pão que hoje pedimos é também aquele de que muitos carecem todos os dias, enquanto poucos o têm de sobra”. O Pai Nosso não é oração que nos acomoda, é grito perante as carestias de amor do nosso tempo, perante o individualismo e a indiferença que profanam o vosso nome, Pai”.

“Cada vez que rezamos, pedimos para nos serem perdoadas as nossas ofensas. É preciso coragem para isso, já que simultaneamente nos comprometemos a perdoar a quem nos tem ofendido. Temos, pois, de encontrar a força para perdoar do íntimo do coração ao irmão como Vós – Pai – perdoais os nossos pecados”.

Por fim o Papa recorda que “quando o mal, encostado na porta do coração, nos induzir a fechar-nos em nós mesmos; quando a tentação de nos isolarmos se fizer mais forte, ajudai-nos (…) encorajai-nos a encontrar, no irmão, aquele apoio que colocastes ao nosso lado a fim de caminharmos para Vós e, juntos, termos a ousadia de dizer: ‘Pai-Nosso’".

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