Diário de um missionário: a experiência de missão despertou a vocação social da Arina
31/10/2020 15:56 em SERVIÇO DE ANIMAÇÃO MISSIONÁRIA

 

Por Guilherme Freitas, sdb

 

Para encerramos o mês missionário com chave de ouro convidamos a jovem Arina, da cidade de Lorena, para partilhar conosco um pouco sobre a sua experiência de missão.

 

Olá Arina! Conte para nós um pouco sobre você, sua origem.

 

“Minha família sempre esteve presente na família salesiana. Meu avô trabalhou por anos no Colégio São Joaquim e meu pai não saia do Oratório São Luiz, participava de todas as atividades proporcionadas. Eu cresci em uma família muito religiosa, porém eu não participava de nenhuma das atividades da igreja. Venho de uma família muito simples e tenho muitas lembranças do quanto meus pais lutaram pela formação humana de nós filhos. Tenho mais três irmãos, sendo um deles a minha irmã”.

 

Como você descobriu os salesianos e quais foram suas primeiras experiências de missão?

 

Sempre participei das celebrações eucarísticas nos salesianos, no Oratório São Luiz. Até então apenas participava todos os domingos das celebrações com a minha família, mas não interagia em nenhuma atividade da comunidade. No ano de 2009 em um certo dia, o Salesiano Pe. Pedro André, na época era formando e convidou eu e minha irmã para participarmos de um encontro vocacional com o salesiano Santaninha, que hoje é padre e o Ir. Zezo. A partir desse encontro já iniciamos como coordenadora de coroinhas e a participar da liderança do oratório. No mesmo ano, começamos a estudar no Colégio São Joaquim, onde nos envolvemos em todas as atividades pastorais proporcionadas, como o grupo de coroinhas, a liderança, o voluntariado social e a semana missionária. Os três anos estudando na escola salesiana e participando das atividades pastorais, foi oportuno para aprofundar o projeto de vida e a descobrir minha vocação para o social, que é a minha essência. Finalizei meus estudos no ano de 2012 no terceiro ano do ensino médio e iniciei a faculdade de Serviço Social na UNITAU em Taubaté/SP, mas ainda sim dei continuidade ao voluntariado social no oratório aos fins de semana. A partir daí, diante da minha área profissional foi possível aprofundar ainda mais na experiência com o social. Trabalhei na Penitenciária Feminina de Segurança Máxima de Tremembé/SP; em obras sociais e com mulheres, crianças e adolescentes vítimas de violência doméstica e abuso/exploração sexual. Após o término da faculdade no ano de 2016, eu já vinha em preparação para uma missão ainda maior, o voluntariado ad gentes na África, em Angola. Em Angola fui enviada como missionária salesiana e trabalhei como assistente social voluntária, especificamente no projeto dos salesianos com as crianças e adolescentes em situação de rua. Havia um trabalho de ação social nas margens de Luanda-Angola, com os meninos em situação de rua como também o trabalho nos abrigos, conhecido como Casa Lar no Brasil. Eu desenvolvia o trabalho com as famílias, as crianças e os adolescentes, os educadores sociais e realizava visitas domiciliares para a busca ativa das famílias. Foi uma experiência incrível de desenvolvimento humano, espiritual e profissional.

 

De onde surgiu o desejo para fazer missão fora do país e como foi esse discernimento?

“Diante da minha experiência com os salesianos no social, eu sempre sentia no coração a vontade de tocar as realidades mais vulneráveis e a lutar pelas causas sociais. Angola me chamou muito a atenção devido as condições históricas, sociais e políticas da África, assim surgiu esse desejo de contribuir com minha experiência profissional e como missionária.”

 

Conte para nós a experiência mais marcante que você teve na vida missionária

“A minha experiência mais marcante com certeza foi a experiência na África. Por mais que eu tenha tocado tantas realidades muito vulneráveis no Brasil, tenha conhecido o pior da pobreza, da miséria... vivenciar diariamente e juntamente com aquele povo africano a falta do mínimo para sobreviver, o mínimo de direitos sociais básicos, como uma simples água potável para beber, para se higienizar, a falta de saúde e educação... me indignava muito! Porém, me fez perceber o quanto não somos nada nesta terra e que bastar simplesmente AMAR.”

 

Se você pudesse voltaria para missão?

“A minha maior meta e realização a se concretizar é retornar a África.  Foi em Angola que iniciou um desejo no meu coração de trabalhar com a realidade social especificamente das mulheres. Hoje, ainda trabalhando na rede salesiana como profissional assistente social e me descobrindo no empreendedorismo feminino, percebi que está aí mais uma missão: contribuir com mulheres, despertando o empoderamento feminino através do empreendedorismo e a geração da própria renda. Que cada mulher que eu puder tocar possa reconhecer o seu valor, o amor-próprio, a autoestima, o autocuidado e a independência financeira, com o intuito de reduzir a violência contra as mulheres das suas variadas formas, psicológica, física ou verbal.”

 

Deixe um recado para as pessoas a partir dessa sua experiência.

“Em todo trabalho pastoral e social guarde e pratique sempre esta frase: Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana.” Carl Jung”

 

 

Fotos enviada pela missionária

Fotos enviada pela missionária

Fotos enviada pela missionária

Fotos enviada pela missionária

 

 

COMENTÁRIOS
Comentário enviado com sucesso!